quinta-feira, 27 de junho de 2013

O corpo de Mani

 
  
   Há muitos anos, a filha do tuxaua de uma tribo deu à luz a uma menina, alva como o leite. O chefe resolveu matar a filha no dia seguinte. Mas, à noite, apareceu-lhe em sonho um homem branco, que lhe afirmou que a moça era inocente. E ameaçou-o com um castigo terrível se ele matasse a própria filha. Por isso, o tuxaua nada fez.
   A criança recebeu o nome de Mani. E, logo depois que nasceu, começou a falar e andar. Era tão linda quanto inteligente e boa. Os índios a adoravam. Mas a menina não viveu por muito tempo. Antes de completar um ano, morreu sem ter adoecido.
   O tuxaua mandou enterrá-la na própria maloca. Todos os dias, os índios regavam a sepultura, segundo antigo costume da tribo. Sobre a cova de Mani nasceu, pouco tempo depois, uma planta desconhecida. Quando a planta deu flores e frutos, os pássaros que os vinham comer ficavam embriagados.
   Um dia, a terra fendeu-se ao pé da planta e surgiram as raízes. Os índios as colheram e, tirando a sua casca, notaram que eram brancas como o corpo de Mani. Acreditando ser um milagre de Tupã, os índios comeram essas raízes e fizeram com as mesmas um vinho delicioso.
   Daí por diante, os índios cultivaram essa planta maravilhosa. E deram-lhe um nome muito bonito: mandioca ou manioca, que quer dizer corpo de Mani.
   Eis como o poeta Lindolfo Xavier conta, em versos, a lenda da mandioca:

Mani, loura criança que nascera
De uma virgem, por todos admirada
Foi cedo numa cova sepultada,
E a mãe saudosa o pranto ali vertera.

Ao rebentar o ardor da primavera,
Surgiu na cova uma árvore encantada,
De tão longa raiz, que triturada,
Toda uma tribo a carne lhe comera.

Da túbera uma tão maravilhosa
Bebida dentro em pouco se inventara,
Que a tribo toda se embriagou radiosa.

A lenda se espalhou festiva e clara
E a mandioca tornou-se a milagrosa
Fênix americana excelsa e rara!

6 comentários:

  1. Olá Marli,

    Li essa lenda, sobre a mandioca, quando estava na escola. Lembrou que fiquei emocionada, porque ela morreu ainda bebê. Nunca tinha lido a lenda como poema, ficou lindo.
    Adorei seu blog e suas postagens. Estou seguindo-o.
    Convido-a para conhecer o meu Blog.
    http://marcia-pimentel.blogspot.com.br

    Bjs

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  2. A que bom que gostou, eu também adorei o seu blog.
    Parabéns
    Já estou te seguindo.
    Beiju ;*

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  3. Que bela e doce lenda amiga,eu gostei imenso!! Beijinhos fofinhos e fica com deus!! http://mafaldinhaarte.blogspot.pt

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    1. Fico feliz que gostou. *-*
      Beiju ;*
      Adorei seu blog. Fique com Deus também

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  4. ola parabens .seu blog ta showw de bola. abraços e desejo muito sucesso

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    1. Obrigada Valiques, te desejo sucesso em dobro.
      Forte abraço. beiju ;* *-*

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